Locutorio: As cidades são mais antigas que os países
<body>

As cidades são mais antigas que os países

17.10.07


Podem ter sentidos apurados pelo treino, habilidades identificadas e treinadas à exaustão, sensibilidade estética refinada. A repetição pode delinar músculos, o esforço serve para definir contornos, a prática garante a experiência. O conhecimento vem da troca, contínua ou eventual. Tronco, cabeça, pernas, mãos. Dobras, unhas, lábios, olhos. Líquido quente que flui num percurso único. Ida e volta que mantém a vida.

Mas nem por isso deixam de ter falhas. Fragmentos desconexos, espaços escuros, buracos desconhecidos. Estantes vazias, ou prateleiras mal colocadas, carregam quartos inteiros desorganizados. Quebra-cabeça com peças que demoram a se encaixar, placas tectônicas que lentamente se movem sob a terra, formando um mosaico ainda secreto.


É por isso que sofrem, que choram e sentem dor. Às vezes, muita dor.
O que acontece é que as pessoas ainda não estão terminadas.

posted by Simone Iwasso
10/17/2007 11:37:00 PM

12 Comments:

Anonymous dani. said...

vamos, vamos! já tô com meu ingresso. e você?

e essa coisa de não estar terminada é foda.. queria um faq pra minha própria vida. ou um sac mesmo...
=p

=*

17:57  
Blogger Simone Iwasso said...

também! to louca por esse show!

ah, eu queria um ombusdman pra minha vida, hehehe

18:46  
Anonymous eurbim@gmail.com said...

E as cidades antigas? Doem menos?

19:36  
Blogger Simone Iwasso said...

salve emi! bom menino, agora sim você tá voltando ao seu antigo posto comigo! beijo

19:44  
Blogger F. S. Júnior said...

talvez a morte seja o términio das pessoas... o termo da vida, talvez seja o ponto exato quando estamos prontos... ou não...

20:38  
Blogger Fernando Borges de Moraes said...

Comentei com ReOx sobre a velhice, quando o corpo decrépito abriga ainda a criança do inconsciente. Entender a velhice como natural é fruto da adoção arbitrária de uma narrativa. Talvez sejamos finitos e submetidos a um processo interminável. Daí a angústia.

21:34  
Anonymous Fabio Chiorino said...

achei a idéia do post ótima...a construção seguida do esfacelamento. Aí vou comentar e leio, de sua própria autoria: "eu queria um ombusdman pra minha vida"...e achei o puxadinho literário ainda mais genial. Beijo.

23:31  
Blogger Simone Iwasso said...

fernando, to pensando sobre o que você colocou. talvez seja isso, mas a narrativa da vida é arbitrária, a gente não a adota, apenas se submete a ela. e sim, bem pensado que gera a angústia...

fábio, boa! vc dá um ótimo editor, sabia?

01:46  
Blogger Júlio Canello said...

E não serão terminadas, suspeito.
Mas nem por isso (por assumir tal suspeita - de alguma forma, mesmo não percebida) não deixam de desejar/buscar "terminar-se".

O Dilaceramento.

15:18  
Blogger joãosampaio said...

"A construção seguida do esfacelamento". uma construção que não se encerra ou que antecede a desconstrução? não sei ao certo. mas nos dois casos fico pensando se o "terminar-se" na verdade nada mais é que a esperança, sempre vã, de tapar um vazio que, assim que se completa, se esparrama a outro lado, como uma espécie de saudade daquelas prateleiras mal colocadas e que, em sua torteza, seguram direitinho o que a gente precisa. Saudade que fica como a certeza recorrente da impossibilidade de terminar-se. O que fecha o ciclo racional da argumentação, mas não espanta a dor, de jeito nenhum.

16:18  
Anonymous Paulo DAuria said...

Oi Simone,

...Puxa, eu mal estou começado...

Grande Beijo
Paulo DAuria

13:08  
Blogger Simone Iwasso said...

eu também, paulo ;-)

22:36  

Postar um comentário

<< Home