Locutorio: All we need is love - or self-esteem
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All we need is love - or self-esteem

18.12.07


Momentos da vida cotidiana, em dois atos:

- Um pato criado em cativeiro, e depois deixado para viver em num lago, se apaixonou por um outro representante da sua espécie que já habitava o local. A questão é que o objeto do amor era um grande pato de plástico, antigo enfeite que boiava há anos na água para turistas. Todos os dias, os dois são vistos nadando um ao lado do outro.

- Classe pobre, de periferia, mais da metade formada por alunos pretos ou pardos (termos usados pelo IBGE no censo, apesar de sempre soar estranho para mim). A professora pede aos alunos que façam um auto-retrato. Ao recolher os desenhos, aparecem crianças loiras, rechonchudas, de cabelos lisos e olhos claros. Foi aí que percebemos que eles não conseguem nem ter uma identidade própria, comenta a professora.

posted by Simone Iwasso
12/18/2007 02:23:00 PM

21 Comments:

Anonymous Elis said...

Analogia delicada, Simon. Sempre achei estranha essa denominação do IBGE também. Me sinto um pato.

(Miss you so)

Beijo,
Elis

15:00  
Anonymous Anônimo said...

Oi!! Estava com saudade de ler coisinhas novas por aqui! Já decorei o post que reclama de domingo e o do IDH...Vê se arruma tempo e não abandona seus fãs!!

bjinhus! E vamos buscar meu gatinho logo!

15:09  
Anonymous Maiara said...

Seu texto me fez lembrar de duas situações de quando eu era criança. 1)Eu tinha mania de cortar o cabelo de todas as minhas bonecas. Obviamente todas loiras e com o cabelo nada compatível com o meu. 2)Um dia, há uns bons anos atrás, minha tia estava penteando meu cabelo e eu solto: "Tia, pq meu cabelo não é liso que nem o da Mô(minha prima)?". Hehehe!

Ainda bem q eu cresci!!!

15:21  
Blogger Mariana said...

Não resisto... A terminologia do IBGE é explicada pelo fato de o instituto lidar com o conceito de cor (mal comparando, próximo ao fenótipo), e não de raça (que é uma construção cultural, segundo os "especialistas"). É estranho, sim. Pressupõe uma "objetividade" que só não é menos verdadeira que a jornalística - afinal o que determina a cor da minha pele, na minha opinião, tb não é a forma como me vejo, e portanto uma construção sociocultural? Affff.... Sorry pela intervenção de "assessora de imprensa"... Rsrsrs...
Beijos!

16:55  
Anonymous Fabio Chiorino said...

a do Pato até João Gilberto ficou com inveja e gostaria de cantar novamente.

a do auto-retrato, independente do pantone, quualquer ser que precisa colocar 100% + raça numa camiseta é sinal de que não confia no que cospe na cara dos outros

17:46  
Blogger Simone Iwasso said...

mari, thanks! pela primeira vez eu entendi porque esses termos são usados! nada como uma boa jornalista assessora de imprensa!

elis, sabia que vc entenderia

fábio, indeed.

maiara, por mim, a gente pegava um gatinho pra vc hoje!

19:48  
Anonymous Carol said...

Ok, eu te perdôo por demorar tanto pra postar. Mas não precisava derreter tanto assim né?

21:53  
Blogger F. S. Júnior said...

esta coisa de questão racial, cor, fenótipo dá bastante pano pra manga... eu mesmo tenho muitos questionamentos e me sinto apartado deste apartamento... quanto ao pato... ele tá aí pra provar ou questionar esta coisa toda de gênero, raça, cor ou natureza... o que interessa mesmo é a paixão...rs

00:04  
Blogger Simone Iwasso said...

é isso aí junior. mataste a charada! um beijo!

00:20  
Blogger Simone Iwasso said...

Este comentário foi removido pelo autor.

00:20  
Anonymous Pequenos Delitos said...

Soa quase como fábula. Mas não tem final feliz.

10:39  
Blogger Cineasta 81 said...

O fato do pato é trivial, tanta gente se apaixona por coisas inanimadas, pelo computador ou tv por exemplo.
Mas o das crianças é assustador. E é culpa dos pais, é a questão do amor tambem, auto estima e amor, é tudo ligado no final das contas.

17:39  
Blogger Emiliano said...

Sobre auto-imagem: a matéria que as leitoras da Capricho mais pedem sempre é dicas para melhorar suas fotos.

18:33  
Blogger Rê M. said...

Este comentário foi removido pelo autor.

22:40  
Blogger Simone Iwasso said...

ah, PD, nem todas elas têm, né. infelizmente

cineasta, é revoltante, também acho. volta aí mais vezes, é bem-vindo sempre

emi, curioso ser como melhorar as fotos, né? achei que seria como melhorar, talvez, a aparência em geral, né

19:41  
Blogger Ricardo C. said...

O segundo momento que você descreve me fez lembrar um desses programas da BBC que falava, entre outras coisas, sobre processos perceptivos — e dentre eles, sobre a percepção de si. No meio do caminho mencionava a quantidade de imagens sobre ícones de beleza a que somos expostos diariamente, e como essa quantidade tinha passado de 10 imagens diárias de Apolos e Afrodites contemporâneos — assisti faz tempo, o número é puro chute, mas serve para ilustrar —, para algo como 100, perseguindo-nos na tevê, nas revistas, nos outdoors e sei lá mais onde. Depois desse massacre, não é de se estranhar que a maioria dos mortais chegue em casa do trabalho, tire a roupa para tomar banho e, se por acaso tiver um espelho por perto, acabe com uma sensação de total inadequação com o próprio corpo, com uma tremenda vontade de procurar os "especialistas garantidos" para comprar, nem que seja a prestação, um novo par de peitos, dois belos glúteos, bíceps, quadríceps, cabelos novos e otras cositas mais, e entre elas, por que não, uma autoestima novinha e com um metro e oitenta, no mínimo...

20:20  
Blogger F. S. Júnior said...

aqui em Brasília o circuito é meio fechado... de impresso mesmo só tem o correio braziliense... os outros jornais tem escritórios aqui e cobrem só política... daí só medalhão... o que sobra é trabalhar para o governo... assessoria... semana passada mesmo estava na câmara dos deputados fazendo uma entrevista de emprego... se tudo dê certo, em janeiro devo começar a trabalhar no MEC, com conteúdo web... fora isso, trabalho numa tv aqui, embora com jornalismo, mas não como jornalista... pelo menos ainda... eu espero...rs enfim... esta nossa vida é meio fácil... demorei pra entrar na faculdade, na verdade, demorei para me decidir por jornalismo... daí perdi um bom tempo... e vc, quais são as suas atividades?

02:04  
Blogger Paulo D'Auria said...

Somos um país mestiço.
Essa sociedade louca, desigual, preconceituosa, vive querendo rotular, daí pardos, cafuzos, mulatos, etc e tais, para resumir uma simples realidade: brasileiros.

Beijos

16:35  
Blogger Ilis said...

adorei o post.

em ambos casos, a eterna pergunta: quem sou eu? quem somos nós?

alguém mencionou aí em cima a paixão. bom, ela também não envolve um mecanismo de espelho?
não é de hoje que esse reflexo nos inquieta.

bjs

22:14  
Blogger Guilherme Lima said...

A paixão do pato é a melhor. Como pode o mar se apaixonar por uma menina, porque não se apaixonar por uma lagoa, porque a gente nunca sabe de quem vai gostar, ana e o mar, mariana (o Teatro Mágico). Quanto as crianças, ninguém vé novela com pobre "pobre" e feio. O desenho é simplesmente a fantasia daquilo que queremos ser, ou apenas acreditar nas mentiras que vemos na TV ou nas que os políticos nos contam. O que esqueceram de ensinar é que o feio também pode ser belo. Mas ninguém quer enxergar ou ensinar isso. (tudo bem eu sou feio...rsrs). Mas é sério, como é triste maquear a realidade.

16:25  
Blogger Simone Iwasso said...

é verdade paulo. guilherme, obrigada pela visita e pelo comentário, que aliás, está coberto de razão. a gente compra sim o que nos empurram, infelizmente. acho que ninguém está imune a isso.

ilis, linda, escreve mais!

19:00  

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